Grande é a necessidade que a Igreja sente em convocar incansavelmente seus fiéis que dobrem seus joelhos e estejam sempre perseverantes na oração e intercessão pelas adversidades que o mundo tem passado e que pode vir a passar.

A Igreja, costuma invocar, com muita piedade e humildade a Deus, em tempos sombrios e difíceis, em especial quando as trevas parecem tentar minar a cristandade. Além disso, as súplicas do povo de Deus, se volta para a assembleia dos santos e confiança especial a maternidade da bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, a Theotókos.

No entanto, caros irmãos, temos passado por momentos difíceis, não tão menos difíceis como aqueles que a Igreja teve que enfrentar no passado. Como resultado dessas dificuldades, vemos diminuir a fé em muitos, elemento tão importante e que é a virtude mais preciosa de um cristão. É o mesmo que esfriar-se a caridade e degradar-se nas ideias e na conduta como cristão.

Tais obstáculos que ora aparecem na caminhada do homem, remete a uma situação de profunda angústia na qual os males se sobressaem em muitos “remédios humanos”. E não nos resta outra coisa, se não, recorrer a potestade divina. Se faz necessário, então, estimular o povo cristão a buscar o socorro que vem da onipotência de Deus com inabalável confiança.

Com o intuito de que Deus seja ainda mais favorável as nossas necessidades por intermédio das nossas orações e para que derrame o mais pronto e copioso auxílio à sua Igreja e as nossas necessidades, devemos crer que o seu povo possa rogar a Deus com devoção e confiança especial não só a Virgem Mãe de Deus, mas também o seu castíssimo esposo, São José.

Com o passar do tempo, conseguimos ver um valoroso progresso no culto ao Castíssimo guardião da Virgem, ora promovido pelo zelo dos Sumos Pontífices, e por conseguinte estendido a todo o mundo, sobretudo quando Pio IX, o qual faço honrosa memória, a pedido de muitos bispos, declarou o sustentáculo das famílias, como Santo Patriarca e Patrono da Igreja Universal.

Todavia, por ser muito importante que o seu culto penetre profundamente nas instituições católicas e nos costumes, queremos que o povo cristão receba da Nossa própria voz e autoridade todo o incentivo possível.

A confiança foi colocada em São José, como Patrono da Igreja, e por conseguinte a Igreja espera confiante em Sua especial proteção, sobretudo por ele ser esposo de Maria e pai adotivo de Jesus Cristo. A partir daqui podemos retirar a sua importância, sua graça, sua glória e sua santidade. É certo que a dignidade da Virgem Maria é altíssima e que não pode haver uma maior, mas tendo em vista que entre a Mãe de Deus e São José existe um verdadeiro vínculo matrimonial. É também de se considerar que São José, mais que qualquer outro, se aproximou daquela altíssima dignidade que faz da Virgem Maria a criatura mais excelsa.

De fato, o matrimônio constitui em si a mais nobre e bela aliança, e traz consigo o caráter indelével da comunhão. E com essa finalidade, Deus deu José como esposo a Maria, não somente como seu companheiro, testemunha de sua virgindade e guarda da sua pureza, mas também participante – por força desse vínculo conjugal – da excelsa dignidade da qual ela foi adornada.

Ele eleva-se entre todos em dignidade também porque, por vontade de Deus, foi guarda e, na opinião de todos, pai do Filho de Deus. Em consequência, o Verbo de Deus foi humildemente submisso a José, obedeceu-lhe e prestou-lhe a honra e o respeito que o filho deve ao seu pai.

Nos ensinamentos dos Padres da Igreja, por exemplo, encontramos embasamento para que possamos fazer a relação na Sagrada Liturgia, do antigo José, filho de Jacó, a vocação e a pessoa do nosso José, onde viram simbolizada a grandeza e a glória do Guarda da Sagrada Família.

Além de terem ambos recebido – não sem significado – o mesmo nome, existe entre eles muitas outras e claras semelhanças, a Vós bem conhecidas. Em primeiro lugar, o antigo José ganhou para si a benevolência de seu senhor de um modo todo singular; e depois conseguiu, graças ao seu zelo, que chovesse do céu toda a prosperidade e bênçãos sobre o seu patrão, de quem dirigiu a casa. E mais: por vontade do rei governou com plenos poderes todo o reino, e quando a carestia se tornou calamidade pública, foi ele quem alimentou os egípcios e os povos vizinhos com exemplar sagacidade, a ponto de ser merecidamente chamado pelo faraó de “salvador do mundo”. Assim, no antigo patriarca é fácil de se ver a figura do nosso José. Como a antigo José foi a bênção para a casa de seu patrão e para todo o reino, assim o nosso José foi predestinado a guardar a cristandade e deve ser tido como defensor da Igreja, que efetivamente é a Casa do Senhor e o reino de Deus na terra.

Todos os cristãos, em qualquer condição ou estado que se encontra, tem vários – e bons – motivos para se abandonarem à paternal e amorosa proteção de São José, tendo em vista que nele, os pais de família encontram o grande exemplo de paternal vigilância e providência; os que se consagram a Deus, tem em São José, o modelo fiel de castidade virginal; os que vivem em união conjugal, o modelo mais perfeito de amor, fidelidade e concórdia. Ao voltar o olhar para São José, possam os ricos descobrir quais são os bens que na verdade é necessário buscar e guardar zelosamente; os nobres possam conservar a sua dignidade na desventura. Que possam os pobres e também os trabalhadores se espelhar em São José, amante da pobreza e modelo dos trabalhadores, que passou sua vida provendo o necessário para si e para os seus, com seu suor e com seu trabalho.

Que possamos, caros leitores, neste dia em que celebramos a Solenidade do Patrono Universal da Igreja, encontrar em suas virtudes o necessário para que sejamos fiéis ao plano de Deus em nossas vidas.

Rezemos, portanto, a Oração da Encíclica Quamquam Pluries, do Papa Leão XIII (1889):

A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, tendo implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio.

Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar favorável sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.

Protegei, ó guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo.

Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício.

Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas do Inimigo e de toda adversidade.

Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.

Amém.