Nesta reflexão longa sobre o primado da vida interior afirmando que também “os Evangelhos falam exclusivamente daquilo que José fez; no entanto, permitem-nos auscultar nas suas “ações”, envolvidas pelo silêncio, um clima de profunda contemplação”. Às vezes, por não termos nenhuma palavra de José nos Evangelhos o transformamos em um mudo, entretanto o silêncio que o acompanha revela, conforme em Santa Tereza do Menino Jesus, o seu perfil interior. Deste seu perfil interior, Jesus e Maria tiveram participação e a Casa de Nazaré tornou-se assim a escola do Evangelho, um Templo de graça. Ali Jesus submeteu-se a José e Maria, e esta submissão foi o modo com o qual Jesus santificou os deveres de família e do trabalho.
Uma das considerações mais comuns que fazemos a respeito de São José é de que ele é o Homem do Silêncio. É assim que ele aparece nos Evangelhos. Os relatos dos evangelistas que referem poucas palavras pronunciadas por Maria, não conservaram nenhuma de José, como se o silêncio fosse uma característica de sua personalidade.
Quando José percebe que Maria está grávida, vive em silêncio o dilacerante problema, pensando em deixá-la secretamente e o evangelista não nos relata um diálogo com Maria para esclarecer a situação, mas simplesmente uma aparição do Anjo que dá uma explicação serenando o ânimo de José.
Enquanto o Anjo lhe pede de tomar Maria como sua esposa ele não diz uma palavra. A sua resposta consistiu em conformar-se com os desígnios de Deus: “José fez como lhe tinha ordenado o Anjo do Senhor e tomou consigo a sua esposa” (Mt 1,24), sua resposta foi um comportamento dócil no cumprimento à vontade divina.
Nos episódios do nascimento e apresentação de Jesus ao Templo, José participa com todo o coração dos acontecimentos dos quais é testemunha, mas sem uma palavra de sua boca. Mesmo nestas circunstâncias em que podia se esperar uma manifestação de seus sentimentos, ele conserva o silêncio. Quando encontra Jesus sentado no meio dos doutores no Templo, deixa a palavra à Maria para pedir uma explicação.
O silêncio de José não é pobreza de espírito. É um silêncio que acolheu o mistério da presença do Verbo feito carne e que apreciou a sua riqueza. Ele era consciente de que o mistério no qual foi introduzido com Maria era inexprimível. Ele é o exemplo do homem cuja riqueza interior se desenvolve silenciosamente.
José com sua atitude convida-nos hoje a apreciar o silêncio, a reservar momentos de silêncio em nossa vida para podermos melhor abrir ao mistério divino que dá o sentido para nossa vida. Mediante o silêncio ele pode viver intensamente unido a Jesus e Maria. Vivendo junto com ambos, em silêncio se deixava penetrar de suas presenças e se enriquecia dos tesouros neles contidos.
O silêncio era para ele o melhor modo de viver o amor mais profundo. Ele preencheu o próprio silêncio com tudo aquilo que lhe era dado pela presença do Salvador e de sua Mãe. Era um silêncio atento e tudo aquilo que significava esta presença, e sempre aberto para receber tudo aquilo que se lhe apresentava.

A todos àqueles que olham para José, ele não cessa de indicar a grandeza do silêncio: silêncio para acolher Jesus e a sua revelação para viver em comunhão com a alma meditativa de Maria, para deixar-se seduzir pelo amor de Deus.

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